Academia Mourãoense de Letras | Acadêmicos

Acadêmicos

31

Nelci Veiga Mello

Nasceu em São Sebastião d’Amoreira, Estado do Paraná, em 31 de maio de 1953. Seu pai, Gaspar Ferreira de Mello, foi um agricultor. A mãe, Maria da Luz Veiga Mello, professora, ministrou-lhe aulas até a quarto ano primários, na Escola Isolada Rio dos Papagaios. Foi a última de uma família de quatro filhos.

Nos seus primeiros anos de escola, iniciou o gosto pela leitura graças a, coisa rara naqueles tempos, sua mãe ter uma pequena biblioteca em casa.

Cursou a Escola Normal Colegial Professor João de Oliveira Gomes, que lhe valeu para ingresso no Quadro Próprio do Magistério do Estado do Paraná. Estudou Letras Anglo na Universidade Estadual de Maringá. Especializou-se em Fundamentos da Educação, em Linguística Aplicada e, em 2003, concluiu Mestrado em Lingüística Aplicada pela Universidade Estadual de Maringá.

Nelci tem três filhos - Janaína Maria Tomadon Romagnoli, Melissa Tomadon e José Tomadon Junior – e dois netos: Gabriela Tomadon Romagnoli e Eduardo Tomadon da Silva.

Em 2008, foi agraciada com menção honrosa no concurso Servir com Arte, da Escola de Governo do Paraná, com a poesia “A Construção”. Em 2009, manteve a mesma colocação no Servir com Arte com a poesia “Perjúrio”.

Em 2010, lançou o livro “Caminhadas Vermelhas”, fruto de dez anos de pesquisa sobre os movimentos sociais de esquerda na região de Campo Mourão, bem como a ligação dessas iniciativas políticas com outras desencadeadas em grandes centros brasileiros.

Ingressou na Academia Mourãoense de Letras em 24 de junho de 2010, ocupando a cadeira do patrono Capitão Índio Bandeira.

endereço eletrônico: nmtomadon@hotmail.com

PERJÚRIO

Nada de ti entrará na minha casa.

Nem teu número constará nas minhas ligações recebidas.

Teus bons dias e boas noites foram, prematura e definitivamente, banidos.

O livro que me deste

Trouxe a folha de rosto

Com a dedicatória escrita apenas na minha memória.

Deserto branco.

Teu nome não soará na minha boca.

Tua geografia não será delimitada por mim.

Na minha, tu és lugar algum.

Não revelarei a ti meus caminhos,

Nem meus pensamentos, desejos e emoções.

Não permitirei que me alimentes.

Nem que arrumes minhas coisas.

Meu caos ficará como sempre esteve.

E, por fim,

Não permitirei que me aprisiones

Com a suavidade de teu toque;

Que me enredes com o som de tuas narrativas;

Que me embriagues com o cheiro de tua pele;

Que me sequestres com a delícia de tua língua;

Eu juro... por todo sagrado em que não creio...

Não gosto de ti.

(Poesia agraciada com Menção Honrosa no Concurso Servir com Arte – 2009, da Secretaria de Estado da Administração e da Previdência do Estado do Paraná)

Construção

Construí minha morte.

O ingênuo faz o dia, a vida, o futuro.

Que futuro?

Nascituros condenados. Todos.

Só a morte é perene e bela, quando construída.

Despedi-me a cada aurora, a cada tarde, na poesia à mesa.

Mesmo no silêncio, despedi-me a cada instante.

Contei da minha morte pelos olhos deitados sobre ti

E te amei até morrer.

- Bela morte – a Construída.

Nelci Mello

Poesia agraciada com Menção Honrosa no concurso Servir com Arte - 2008, da Secretaria de Estado da Administração e da Previdência do Estado do Paraná.

Caixa Postal 21 CEP 87.300-970 Campo Mourão PR

contato@academiacm.org.br