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Domingos José de Souza

Filho de Domingos Martins de Souza e Izabel Idalina Doblins, nasceu em 24 de dezembro de 1912, numa bela noite Natal na antiga fazenda do velho Souza, lugar  denominado Ribeiraão  do Tigre, cidade  de Cerro Azul - Pr.

Este, quando nasceu, já era órfão de pai e foi criado pelos avós paternos Manoel Fernandes de Souza e Fermina Rosa dos Santos.

Domingos (o Minguinho) com oito anos iniciou os estudos em uma escola particular, regida pelo professor Manoel de Oliveira Prestes, cuja alcunha era Barba Azul, onde por oito meses recebeu os primeiros ensinamentos.

Mais tarde foi matriculado em um grupo escolar na cidade de Itararé - SP, frequentando apenas mais oito meses, onde conseguiu concluir o segundo ano primário. Aos 23 anos casou-se com a jovem Elizabeth Scheffer.

Aos 26 anos, perdeu sua avó, a quem tinha como mãe, em  16 de maio de 1939.

Sentindo profunda tristeza em seu coração, resolveu sair para outros lugares distantes, porém, a fatalidade não o permitiu, no dia 9 de setembro de 1939, trabalhando numa máquina de moagem de cana de seu sogro, em um acidente com uma correia, caiu e muito machucado, ficou com deficiência em uma perna. Nesse meio tempo perde o filho José Valdir em 26 de fevereiro de 1941.

Resolveu vender suas terras e mudar-se, mas nova fatalidade acontece, com a morte de sua filha Maria José, de seis anos, no dia 28 de junho de 1942.

Como já tinha um amigo em Campo Mourão, resolve mudar-se para cá,  saindo de Cerro Azul, no dia 1º de abril de 1943, aqui chegando no dia 13 do mesmo mês. Logo em seguida comprou colocação, onde acomodou sua esposa e as filhas Dolores e Leonídia. Recebeu proposta de permuta por terras localizadas nas barras, e mudou-se para lá em 28 de agosto de 1943.   Ali nascera-lhe três filhos: Valdomiro, Darci e Dirceu.

Lutando pela vida, e vendo a família crescer, Domingos sentiu a necessidade de uma escola. Como não era possível mandar seus filhos para estudar em outra localidade, resolveu ele mesmo lecionar para seus filhos e alguns vizinhos.

Como desempenhou bem seu papel de professor, o povo da região resolveu pedir ajuda ao prefeito de Pitanga, Alcides Gluter, a nomeação para Domingos exercer a função de professor público.

Enquanto se esperava a nomeação, foi feita uma coleta, onde conseguiu comprar as madeiras, serrar e construir a escola. Fizeram também 12 carteiras, mesa e quadro negro.

Até que se construísse a escola, Domingos fez três viagens a Pitanga, a fim de legalizar sua nomeação, essas viagens levavam 8 dias no lombo de um burro. Na volta, o professor trazia o material necessário que era um livro de matrícula e giz.

Afinal, foi nomeado em 31 de março de 1947. Em 19 de abril de 1947 foi instalados a escola com o nome “Escola Presidente Getúlio Vargas”, com 45 alunos matriculados. Permaneceu como professor desta escola por 10 anos, quando se aposentou, perdendo, logo após, seu filho Valdomiro de apenas 21 anos.

No dia 20.09.1979, o professor Domingos José de Souza, descreveu sobre Campo Mourão, o qual passaremos agora aos leitores:

  “- Quando eu aqui cheguei, no dia 13 de abril de 1943, acompanhado de minha esposa e minhas filhas Dolores e Leonídia, Campo Mourão não passava de um simples povoado(...)

Não havia estradas, e sim caminhos ou carreadores, onde transitavam animais em carroças. O viajeiro tinha que carregar ferramentas prá abrir as picadas (...)

Não havia querosene: nós iluminávamos os ranchos com candeeiros feitos com azeite de mamona ou gordura de porco (...). Existia só duas ruas: a rua grande, hoje Av. Cap. Índio Bandeira, e a da delegacia, hoje Av. Irmãos Pereira.

Essas duas ruas eram carpidas à enxada, mais parte pelos presos que se achavam sob o comando do capitão Estevão e do delegado Ozório Arana. Nessa mesma rua existia uma única casa de comércio pertencente ao senhor Jucelino Medeiros de Araújo, vulgo cearense.

Uma diminuta pensão pertencente a dona Maria, que mais tarde tornou-se Hotel Mourão, pertencente ao senhor Jorge Brasil de Almeida. Uma pequena farmácia, pertencente a Italo Rossi.

Existia também um Juiz de Paz, o senhor Alfredo Senger. Um cartório de registros, cujo oficial era Laurindo Borges.

Aqui residia o Dr. Carlos Boening, um médico alemão, que atendia onde fosse chamado. Mais tarde veio um médico do estado, o Dr. Delbos, este atendia em uma farmácia pertencente a Valdemar Roth, que se chamava farmácia Luz. Quando o cliente necessitava de um internamento, alugava um quarto no Hotel Mourão, e ali era atendido pelo médico, pois não havia hospital (...)

Nossa primeira igreja católica era um simples rancho situado onde hoje está a vila Carolo, cujo ministro era um sacerdote de nacionalidade alemã: Aluizio Jacobi, o qual vinha a cavalo, realizar suas missas (...)

Quanta luta! Quanto sofrimento, quantas angústias, mas, o resultado esta aí: Campo Mourão, ressurgindo no cenário do progresso.”

(Barras, 20/09/1979 - Domingos José de Souza)

Depois de aposentado o professor Domingos passou a cuidar do sítio onde residia. Faleceu em 25/05/1989.

Veio a falecer no dia 17/01/1997, aos 75 anos, em Campo Mourão, onde foi sepultado.

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