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Tony Nishimura

Tony Nishimura, neto de imigrantes japoneses, nascido em 10 de maio de 1943,  em Cambará-Pr, responsável pelo aprimoramento da técnica que consagrou o Carneiro no Buraco.

Mourãoense desde 1966, “Tony” começou o preparo do prato na década de 70, como entretenimento entre seus amigos, mas com o tempo foi aperfeiçoando a composição até chegar à receita que hoje é sucesso.

Nishimura dedicou maior parte de seu tempo viajando pelo Brasil no preparo do Carneiro no Buraco. Na década de 1980 e 1990, recebeu grande apoio do então prefeito de Maringá, Ricardo Barros, que o contratava para preparar o “Carneiro no Buraco” para servir aos seus convidados e também em eventos que reuniam convidados de outros países.

Estes constantes trabalhos realizados na cidade de Maringá, muito contribuíram para a divulgação do nosso prato típico.

Em Brasília (DF), nos anos de 1995, 1996, 1997 e 1998, Tony participou da “Festa dos Estados” que foram realizadas no “Parque da Cidade”, que tinha tem por objetivo divulgar o folclore de cada Estado participante bem como a sua culinária.

No “Parque Castelo Branco” em Curitiba, no ano de 1998, participou de dois importantes eventos: a “I Feira da Comida Típica do Paraná” realizada nos dias 13, 14 e 15 de março e da “Feira do Paraná” de 09 a 18 de outubro.

Havia percorrido nove estados brasileiros e viajou também no exterior preparando o prato típico de Campo Mourão. Já serviu autoridades e pessoas famosas, como presidentes da República, ministros de Estado, governadores, artistas, empresários e esportistas. Somente em 1997, ele percorreu mais de 70 mil quilômetros preparando o prato em dezenas de cidades do território nacional.

Em Campo Mourão, Tony Nishimura foi coordenador da I Festa Nacional do Carneiro no Buraco, oficializada pelo município no ano de 1991, um evento gastronômico que passou a reunir anualmente mais de seis mil pessoas.

Foi em 1995, em sua quinta edição que Nishimura, então coordenador técnico, idealizou e implantou o sistema de cozinha única da festa, com o objetivo de atingir um padrão único no prato típico, que vinha sendo preparado isoladamente pelas barracas participantes do evento.

A dedicação no preparo do Carneiro no Buraco, também fez com que Nishimura criasse uma série de equipamentos para eficiência e agilidade na confecção e na melhoria da qualidade do prato. São desde tampas utilizadas para o cozimento, réchaud, ganchos para descida e retirada do tacho, garras para o seu transporte e até uma máquina apropriada para o preparo do pirão.

Tony por diversas vezes promoveu o “Carneiro no Buraco” em associações recreativas, cujos convites eram adquiridos por seus amigos e apreciadores do prato. O último Carneiro preparado por Tony foi no dia 7 de maio na Associação DER, evento este que contou com a presença do prefeito Nelson Tureck. Ele estaria preparando outro almoço no dia 4 de junho no Clube da Justiça.

O artista Tony – Os primeiros raios de sol, começam a descortinar na encosta do morro, revelando as cores de vegetação, nas várias tonalidades de amarelo, vermelho – alaranjadas, verde e marron. Era esta a paisagem emoldurada pelo batente da janela da sala da casa onde morava com os familiares que Tony ainda criança, adorava ficar curtindo.

Esta casa foi construída na propriedade adquirida na década de 1950, pelo agricultor Yoshimitsu Nishimura, no montanhoso município de Jandaia do Sul – Estado do Paraná. Junto com a esposa Shizuko e seus filhos, cultivavam no sítio café e hortaliças.

Em uma oportunidade, o senhor Yoshimitsu ganhou em sorteio, uma enorme caixa de bombons, cuja tampa era enfeitada com a estampa da pintura de uma paisagem.

As cores desta paisagem se confundiam com as matrizes da vegetação que cobria o morro, principalmente no outono. A combinação desses fatos que talvez tenha despertado em Tony a paixão pela pintura.

Desde a idade pré-escolar, gostava de ficar horas fazendo seus rabiscos, sempre de forma autodidata, mesmo porque, na época não havia escola de arte, como existe hoje. Utilizava materiais mais acessíveis como a tinta nanquim, caneta de madeira com pena, lápis de cor e lápis preto, para desenhar principalmente a figura humana.

Através do tempo, de forma empírica, foi praticando e desenvolvendo as técnicas de pontilhismo a nanquim, bico de pena e óleo sobre tela na pintura de retratos. Sua maior fonte de inspiração e estudos foram as obras de Rembrandt e Renoir.

Todos os trabalhos do artista foram feitos sob encomenda, tornando-se difícil organizar uma exposição. O artista teve suas obras expostas em galerias e também trabalhos para particulares pelo Brasil e Exterior.

Na década de 1980 deu inicio a confecção das galerias dos ex-presidentes do Rotary Campo Mourão e Campo Mourão Gralha Azul e dos ex-presidentes do Clube 10 de Outubro, na técnica de pontilhismo a nanquim, no tamanho 30cm X40 cm e 35cmX45cm respectivamente. Assim que terminava o mandato de cada presidente, Tony continuava atualizando as galerias.

Em 1990, a convite do então Secretário da Administração, Pedro da Veiga, foi contratado pela Prefeitura Municipal de Campo Mourão, para elaborar a galeria dos ex-prefeitos, em óleo sobre tela no formato 40cmx50cm cujas obras estão expostas no Paço Municipal “10 de Outubro”.

Em 2005 foi contratado pelo Rotary Campo Mourão Lago Azul para pintar a tela do patrono de Campo Mourão – Dom Luís Antônio de Souza Botelho e Mourão –exposta em caráter permanente no Museu Municipal “Deolindo Mendes Pereira”.

Há muitos anos, Tony vinha dedicando, em tempo integral, para atender as encomendas, principalmente óleo sobre tela e pontilhismo a nanquim.

De seus trabalhos realizados até hoje, não tinha preferência especifica de nenhum deles, porque todos receberam a mesma dedicação em suas execuções.

Quanto às artes mourãoenses não teve conceito formado por não participar de exposições e de nenhum movimento. Apreciava todas as tendências das artes plásticas por transmitir a mensagem do artista em suas varias formas de expressão.

O fotógrafo Tony – Das lentes do fotógrafo Antônio Nishimura, parte da história de Campo Mourão pode ser preservada. Quando chegou em Campo Mourão, em 1966, Tony foi contratado pelo prefeito Dr. Milton Luiz Pereira (1963/1967) para registrar as ações desenvolvidas pela Prefeitura.

Anos mais tarde, com a posse do prefeito Horácio Amaral (1969/1973), tornou-se o “fotógrafo oficial” da administração. Ele e Horácio sempre viajavam juntos pela região, visitando as obras executadas, como pontes, bueiros, abertura de estradas, construção de escolas, além de eventos e inaugurações. Os registros eram feitos, para mais tarde, se tornarem em uma exposição de prestação de contas itinerantes das ações do Governo Municipal.

Em 1974, Tony fotografou vários aspectos da cidade, fotos estas levadas pelo prefeito Renato Fernandes Silva para o Japão.

 O adeus – Tony Nishimura faleceu por volta das 19h30 do dia 24 de maio de 2006, logo após dar entrada na Central Hospitalar após um enfarte. O prefeito Nelson Tureck decretou Luto Oficial no município de Campo Mourão, por três dias. Era casado com Zélia Nishimura e tinha duas filhas: Sandra e Sylvia.

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