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Capitão Índio Bandeira

Nativo da Tribo Bandeira, era da tribo ou grupo dos Camés, no grupo Caingangue.  O conhecido Capitão Índio Bandeira em suas andanças, entre Pitanga e Campo Mourão, nos idos de 1880, orientou os pioneiros desbravadores a chegarem a Campo Mourão. Sua tribo encontrava-se localizada nas proximidades de onde hoje se encontra a Fazenda Campo Bandeira, saída para Maringá.

CAPITÃO ÍNDIO BANDEIRA

Por ocasião da ocupação dos Campos de Moiron, no século XVII, o Kaigang, Capitão Índio Bandeira, liderava, entre 1870-1880, em torno de 200 índios na região. Sob suas ordens encontravam-se também caciques subalternos Mayor: Gregógio e Henrique. À época, Índio Bandeira fazia a ponte entre as autoridades constituídas e os indígenas. Acompanhava-os na tentativa de reunir sua gente em aldeamentos, onde pensavam tais autoridades, estabelecer um padre e um mestre escola, no intuito de fazer tais aldeamentos prosperarem e povoar a região. Esses dados foram relatados por Luís Daniel Cleve, (1) diretor dos índios da Comarca de Guarapuava ao então Presidente Dantas Filho em 1879. Posteriormente as informações foram apresentadas por Dantas Filho no seu relatório de 1880. Consta no documento que a Comarca de Guarapuava possuía 2502 índios Kaingangs; que o contato era facilitado através da distribuição de mercadorias aos índios arredios dos campos entre os rios Ivaí e Piquiri. Bandeira acompanhava pessoas, juntamente com um intérprete – Cavalheiro – incursionando pelo campo Moiram “afim de reconhecer as localidades e observar os toldos e tribus ali existentes, visto que os caciques ali instam pela fundação de um aldeamento”. (2)

Segundo o Presidente Pedrosa, outra iniciativa de Bandeira foi a abertura de uma picada ligando os seus toldos ao Salto de Sete Quedas, o que facilitaria a comunicação com Guarapuava, expedição custeada pelo governo, como explicitou Pedrosa, nos idos de 1881:

E assim autorisei o director desses índios a despender a quantia de 300$000 para coadjuvar a expedição do cacique Bandeira, afim de abrir-se a mencionada picada, despendendo dessa importância com ferramentas e brindes aos selvagens que fossem empregados ao serviço. (3)

Segundo os estudos de Lúcio Mota, os brancos pretendiam reunir em aldeamentos os grupos indígenas dispersos. Isso facilitaria a desejada catequização da Igreja rumo ao processo civilizatório, ao trabalho e à apropriação desses territórios. A intenção dos brancos era o domínio das terras entre os rios Piquiri e Iguaçu:

Em Guarapuava alguns cidadãos abastados querem auxiliar a expedição porque comprhendem que attraindo e agradando os índios do Piquiry, terão neles guardas vigilantes para preservarem-se das correrias de outras tribus ainda bravias. Segundo declarou-me o fazendeiro Norberto Mendes, esses novos aliados estão dispostos a ajudar em qualquer expedição para o lado do Iguassu gratuitamente. (4)

Prossegue Mota que a pretensão era a transferência dos Kaingangs do oeste de Guarapuava para os aldeamentos do rio Marrecas, no alto Ivaí. Os índios reagiram à intenção dos brancos, atacando as fazendas implantadas no seu território. Posteriormente, aproximaram-se dos aldeamentos religiosos. Segundo Mota, em fins dos anos de 1870, em contraposição, os índios reivindicavam a demarcação de seus territórios além das áreas definidas nos aldeamentos religiosos. Todavia as lutas travadas nesta região não foram somente entre brancos e índios. Os Kaingangs defenderam seus domínios contra os Guaranis oriundos do Rio Grande do Sul, do Paraguai e da Argentina.

Nesse jogo de poder entre brancos e índios, sobressai a figura de mediador do Capitão Índio Bandeira, elo entre dois universos. Preservar e contar sobre a figura desse homem ímpar é resgatar o momento mágico do processo civilizatório - a  encruzilhada rumo a um mundo novo. Índio Bandeira, através de uma atuação pacificadora, colaborou para que as primeiras famílias: Norberto Marcondes, Guilherme de Paula Xavier e Jorge Walter aqui se instalassem, dando continuidade à intrincada e dinâmica rede das relações sociais, ao mesmo tempo complementares e antagônicas.

O legado histórico do Capitão Índio Bandeira nos conta de como ele colaborou com a conquista e delimitação de nossas fronteiras com a grande força característica dos desbravadores, daqueles que ligaram dois mundos imprimindo o sentido da civilização e do progresso na nossa terra.

REFERÊNCIAS

1 – PARANÁ, Governador (1879-1880 Dantas Filho), 16 fev. 1880, p. 43, apud Mota (2000, p. 151);

2- ARQUIVO PÚBLICO DO PARANÁ. Curitiba. Ofício. 26 out. 1880, pp. 40-42 (documento manuscrito), apud Mota (2000, p. 153);

3- PARANÁ Governador (1880-1881 Pedrosa) 16 fev. 1881, p. 78, apud Mota (2000, p.155);

4- PARANÁ, Governador (1880-1881 Pedrosa), 16 fev. 1881, p. 80 (apud Mota, p. 156);

5- MOTA, Lúcio T. Os índios Kaingang e seus territórios nos campos do Brasil meridional na metade do século XIX. In: Uri e Wãxi – Estudos interdisciplinares dos Kaingang. (MOTA, NOELI, TOMASINO- Org.). Londrina, UEL, 2000.

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